quinta-feira, 8 de maio de 2014

::: Curta metragem "O Tempo dos Orixás" em Cannes

Por Shirlene Marques


Em minhas buscas por boas pautas, no mar do Facebook, deparei-me com uma imagem e frase que me chamaram a atenção e que poderia ser pauta para o blog: Uma idosa e uma menina negra vestidas com os trajes usados no Candomblé, religião afro-brasileira que cultua os orixás. 

Inserida na imagem estava a informação de que o filme “The Summer of Gods” era um dos selecionados para ser exibido no maior Festival de cinema mundial, o Festival de Cannes, que será realizado entre os dias entre os dias 14 e 25 de maio de 2014, na França. Porém, parecia ser obra produzida por estrangeiro e o foco do meu trabalho é garimpar a produção das nossas negras e negros.

Fiquei cheia de perguntas e nada encontrava na mídia brasileira sobre tal filme. Informações oficiais da obra estavam em inglês e isto me deixou curiosa. Mas encontrei um caminho que decifrava: o filme era dirigido por uma negra brasileira de nome Eliciana Nascimento. Mas havia muito a ser descoberto. Missão conseguida com o apoio de outra cineasta negra brasileira, Viviane Ferreira, que também terá o seu filme O Dia de Jerusa exibido em Cannes. Ela fez a ponte para a realização desta entrevista com Eliciana, que me respondeu por e-mail, de San Francisco (EUA). A cineasta nos traz respostas que vão além dos quesitos técnicos, traduzindo a força de um filme que foi concretizado graças a uma campanha para arrecadar fundos.

Por dentro do The Summer of Gods

Quando se fala de Cannes, nós fazemos a conexão de que naquele espaço estarão reunidos poucos filmes, porém detentores de aspectos que o dignificaram para tal seleção. Seleção ora para a mostra competitiva, ora para exibição dentro da programação do Cannes Curta Metragem. 

Estar naquele espaço mostrando um filme, é digno de louvor. E, mais digno ainda, quando se descobre que um dos filmes selecionados para o “Short Film Corner”, o curta “The Summer of Gods” foi pensado e dirigido por uma mulher negra, brasileira, baiana, filha de um pai pedreiro e de uma mãe doméstica, a cineasta Eliciana Nascimento. 

O curta nasceu como projeto de conclusão de mestrado em cinema pela San Francisco State University, na Califórnia (EUA), por este motivo o título está em inglês, mas terá tradução para “O Tempo dos Orixás”.  Tudo começou quando ela fez uma atividade em classe sobre o resgate da memória: “ Relembrei o tempo que visitava a minha vó no interior da Bahia, onde naquele tempo e espaço fui  introduzida na tradição dos Orixás. O filme retrata minha experiência de infância; revela as memórias de minha mãe e descortina minha própria experiência de ser iniciada ao culto dos Orixás, depois de adulta”.

Para obter uma maior realidade ao roteiro, a meta da cineasta era fazer a gravação no Bahia. Mas Eliciana, então estudante, não tinha dinheiro para arcar com tal projeto.  “Resolvi fazer uma campanha online para buscar ajuda de amigos e familiares através do site Kickstarter. Embora tenha investido no filme, mais do que solicitei, a campanha foi um sucesso e pude contar com ajuda de 200 pessoas de várias partes do mundo. Fiz um vídeo com um brief sobre o filme e tive a participação de alguns dos meus professores de cinema. Além deles, o ator e ativista Danny Glover participou da campanha voluntariamente para me ajudar a buscar recursos”, explicou a cineasta.

Poucos dias

Com os recursos obtidos, Eliciana produziu o curta em 30 dias e em apenas uma semana captou as imagens na Bahia, exatamente no local que originaram as inspirações para o roteiro. “ Cerca de 90% do filme foi gravado em Ituberá, Bahia e redondezas da Costa do Dendê, que foi a cidade onde minha mãe nasceu e onde os meus ancestrais se originaram. Foi lá onde a minha vó morava em um quilombo e onde aprendi sobre o culto aos orixás”, detalhou Eliciana. Apenas uma cena foi gravada em Salvador (Bahia), a que simboliza a iniciação, pois os recursos não foram suficientes para levar o grupo de atores até o interior.   

No quesito equipe, Eliciana optou por poucos profissionais. Foram cinco na Bahia, durante a produção e seis no processo de pós-produção, que foi realizado nos Estados Unidos.  Para compor o elenco, a diretora contou com oito atores principais como a pequena Isabela Santos (Lili ) e Rosalinda Santos (Vó). O curta conta com a participação de 45 pessoas oriundas de grupos religiosos, bailarinos, músicos e habitantes do quilombo Riachão. 

Com quatro meses utilizados para finalização, The Summer of Gods ficou pronto para seguir a caminhada que começa em Cannes, na França. Fiz uma pergunta para Eliciana sobre toda a representatividade deste fato para ela. Irei quebrar as regras do jornalismo e copiar a sua “longa” resposta. Ela vai além da técnica:

“Ter o meu filme na programação de curtas de Cannes significa muito para mim. Eu sempre sonhei grande, sempre pensei grande e sempre quis ser grande, mas nunca sabia aonde minha mania de grandeza iria me levar. Graças aos meus orixás, ao meu respeito e dedicação que tenho a minha tradição fui concebida essa oportunidade. Tá sendo muito difícil para eu conseguir recursos para ir para Cannes. Já esgotei os meus recursos, acabei de me graduar e ainda estou tentando me estabilizar depois do gasto em produzir o filme. Mas farei o que puder para atender o Festival, pois essa é uma oportunidade única. Não é todo dia que uma mulher negra da periferia de Salvador, que cresceu em escola pública, filha de empregada doméstica e pedreiro que tem a chance de ir para Cannes com um filme escrito, produzido e dirigido por ela. Então tenho que ir para representar todas as meninas do meu bairro. Desejo que elas cresçam com essa ambição e aspiração de uma história melhor para nós mulheres negras. Com muita fé e axé chegarei lá”. Esta é Eliciana Nascimento.

** Confira:

- The Summer of Gods em Cannes 2014:

http://sub.festival-cannes.fr/SfcCatalogue/MovieDetail/96126605-8083-48d5-99a4-63bf557dba15

- Site oficial do filme:

- Fonte: 
Blog Postagens negras - http://postagensnegras.blogspot.de/2014/05/os-orixas-na-infancia-em-cannes-2014.html?spref=fb



quarta-feira, 16 de abril de 2014

::: 29a. Lavagem da Escadaria da Catedral de Campinas




A Lavagem da Escadaria da Catedral Metropolitana de Campinas é realizada todos os anos no Sábado de Aleluia e este ano completando 29 anos. Com objetivo de celebrar/reafirmar a resistência dos povos negros vindos de todas as partes do território africano, com seu rico legado cultural e religioso, este evento presta esclarecimentos sociais e culturais, com apresentações de mais de 30 grupos culturais dentre: Jongo, Congada, Folia de Reis, Catira, Dança Afro, Capoeira, Hip Hop, Rap, dentre outros e ainda com barracas de comidas típicas, artesanatos e microempreendedores da RMC,contando com participação de cerca de 3000 mil pessoas. Desde o ano de 2009 contamos com a Tenda da Saúde (exames DST/Aids), onde em parceria com o SUS e através do Projeto Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde, tendo seus Núcleos nas cidades de Hortolândia e Campinas, realizam  exames com resultados instantâneos sobre as DST/Aids; Contará ainda, com uma tenda de Direitos Humanos, onde serão prestados esclarecimentos sobre direitos e cidadania.

Programação - Sábado de Aleluia - 19 de abril
10: 00 hs - Descida em Procissão pela rua 13 de maio
11:00 hs - Cerimônia Religiosa e Lavagem da Escadaria
13:00 hs - Shows e Apresentações Culturais
16:00 hs - Encerramento


Informações: 

* (19) 3809.1608
* blogmaedango@gmail.com


** Conheça a História da Lavagem da Escadaria da catedral e veja fotos e videos de eventos anteriores: Clique Aqui






quinta-feira, 3 de abril de 2014

::: LEI CAÓ - Lei 7716/89 EM AÇÃO



::: INTOLERÂNCIA RELIGIOSA (Lei 7716/89 – lei Caó) :::

O jornalista, ex-vereador e advogado Carlos Alberto Caó Oliveira dos Santos, criou a Lei 7716/89, a chamada Lei Caó, que estabelece a igualdade racial e o crime de intolerância religiosa.

A lei Cão tem o nome em homenagem ao seu autor, Carlos Alberto Caó Oliveira dos Santos. Segue o artigo 20 da Lei Cão:

“Intolerância religiosa é um termo que descreve a atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar as diferenças ou crenças religiosas de terceiros. Poderá ter origem nas próprias crenças religiosas de alguém ou ser motivada pela intolerância contra as crenças e práticas religiosas de outrem”.

(*) Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
(Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Pena: reclusão de um a três anos e multa.

§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.

§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.
§ 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência: (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
I – o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;
II – a cessação das respectivas transmissões radiofônicas ou televisivas.

§ 4º Na hipótese do § 2º, constitui efeito da condenação, após o trânsito em julgado da decisão, a destruição do material apreendido. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

** Exemplos da Lei na pratica:

Caso 01 – Rio de Janeiro

No Rio, o pastor da Igreja Evangélica Assembléia de Deus Trabalhadores da Última Hora Pr. Isaías da Silva Andrade recebeu em sua igreja Rodrigo Carvalho Cruz, conhecido como “Tico”, acusado como autor de roubo e a morte do turista italiano George Morassi, em novembro de 2007. Ali, Tico recebeu o Evangelho e aceitou Jesus.

O pastor aconselhou o criminoso arrependido a se entregar para a polícia. Na delegacia, o pastor, relatou: “Tico estava possuído por uma legião de demônios, como o Exu Caveira e o Zé Pilintra. Fizemos uma libertação nele e o convencemos a se entregar hoje”. Por causa dessa declaração, o pastor, que é afro-descendente, caiu vítima da Lei Caó, sendo denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por prática de preconceito religioso contra as entidades do candomblé.

Fazendo aplicação do artigo 20 da Lei Caó, a promotora Márcia Teixeira Velasco fez questão de ser a autora da denúncia contra o pastor afro-descendente, expressando a opinião de que o candomblé e seus praticantes “foram atingidos diretamente com a declaração racista e discriminatória, eis que o denunciado vilipendiou entidades espirituais da matriz africana, com a espúria finalidade de proteção de autor de nefasto crime”.
 
Por Ofá nylá
Ilè Asé Damatá Okè




quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

::: Lei para o Dia do Sacerdote


...ATO QUE SIMBOLIZA O FORTALECIMENTO DA ANCESTRALIDADE AFRICANA NO BRASIL!



LEI Nº 12.950 DE 14 DE FEVEREIRO DE 2014 INSTITUI O 24 DE NOVEMBRO - DIA DO SACERDOTE E SACERDOTISA DE RELIGIÃO DE MATRIZ AFRICANA.


O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º - Fica instituído, no Estado da Bahia, dia 24 de novembro - Dia do Sacerdote e Sacerdotisa de Religião de Matriz Africana.


Art. 2º - Entidades Religiosas e do Movimento Negro poderão produzir atividades referentes ao tema, tais como divulgação da história da religião de matriz africana, trabalho educativo nas escolas, associando-se à Lei 10.639/2003, por Entidades Religiosas e do Movimento Negro.

Art. 3º - As atividades mencionadas no art. 2º desta Lei deverão ser inseridas também da programação oficial anual da Semana da Consciência Negra, constituindo-se como mais uma atividade agregada ao calendário do Mês da Consciência Negra.

Art. 4º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, em 14 de fevereiro de 2014.

JAQUES WAGNER
 

Governador
 

Rui Costa  
Secretário da Casa Civil 

Elias de Oliveira Sampaio  
Secretário de Promoção da Igualdade Racial 


Fonte: http://www.matambatombencineto.blogspot.com.br/




terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

::: Caminhos do Axé na Fazenda Roseira


Aconteceu no dia 14 deste mês de Fevereiro, o evento "Caminhos do Axé", onde o convidado Alexandre Padilha esteve na Roseira para debater o Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável das Comunidades de Matriz Africana e a Saúde no Terreiro, onde se firmou o compromisso pelo combate ao racismo dos profissionais da saúde no SUS, além de se atentar para outras questões especificas das comunidades de matriz africana como o reconhecimento da sabedoria dos mateiros, a questão dos sacrifícios de animais, a morte de gestantes negras no parto, a anemia falciforme que atinge a população negra. Reconhecendo que a população negra adoece e morre de forma diferente no Brasil. 

Ressaltou a importância do programa Mais Médicos como um importante marco para o desmascaramento do racismo velado na área da saúde. 
Também aproveitou e pisou na tradição dançando Jongo com Alessandra Ribeiro . 

O evento contou com a presença da deputada federal Janete Pietá e do deputado Renato Simões firmando também o compromisso com a saúde dos povos de terreiro, e em especial o apoio para a estrutura da Casa de Cultura Fazenda Roseira. Aqui de Campinas contamos com a presença do Ponto de Cultura Ibaô, com o Coletivo Socializando Saberes, o Ponto de Cultura NINA Griô, com Sr Valdir historiador e membro do Clube Machadinho, com o parceiro Pai João, com Fred da Família MLK e acessor do vereador Carlinhos Camelô, com o vereador Pedro Tourinho. Contou ainda, com presença de lideranças de várias cidades como Mauá, Osasco, Carapicuiba, Limeira, Monte Mor, Salto, Hortolândia. O dia foi conduzido por Edna Almeida Lourenço liderança negra e idealizadora do roteiro afro Caminhos do Axé.
Abaixo a presença de nossa Nengua de Nkisi Dango, representando as lideranças de Hortolândia no evento:






Fonte: Fazenda Roseira
 





quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

::: Religião X Emprego



Câmara aprova Legalidade de proposta contra discriminação religiosa



A Câmara Municipal aprovou, na sessão desta quarta (12), a Legalidade (1ª discussão) do Projeto de Lei nº 157/ 2013 de autoria do vereador Carlão, que proíbe perguntar sobre a religião aos candidatos em questionários de emprego, admissão ou adesão a empresas públicas ou privadas, sociedades, clubes e afins. O PL ainda precisa ser submetido à 2ª discussão (do Mérito) para que seja aprovado pela Câmara. O objetivo é evitar a discriminação religiosa, que atinge principalmente as religiões de origem africana. De acordo com a proposta, o valor da multa poderá variar de R$ 150,00 a R$ 2,5 mil por infração. Carlão defende que o Município deve atuar no combate à discriminação e à intolerância religiosa, por meio de sanções administrativas, conforme previsto na Constituição Federal (Parágrafo 3º do Artigo 5º). Já a proibição do uso de critérios de admissão discriminatórios consta do Parágrafo 4º. 








sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

::: PREVISÃO 2014





Xenu jami jipange...
(Olá meus irmãos...)


O ano é regido pela energia de hum ou mais N'kisi/ Orixá, esta influência favorece ou não à determinadas situações e decisões, sejam elas positivas ou negativas, influencia as pessoas e até mesmo o próprio planeta. Este ano de 2014 será regido por HANGOLO e KAIAIA, (Oxumaré e Iemanjá), e teremos também a influência direta de nossos ANCESTRAIS.

Esta regência nos revela que o EMOCIONAL é a área que estará em evidência, aconselhando-nos a trabalhar com acolhimento, solidariedade, trabalhar o respeito e a paciência, mas de maneira verdadeira sem almejar trocas ou favores.

É claro que também estaremos mais sensíveis e sensitivos o que refletirá em nossa vida prática, então devemos ter cautela em administrar nossas contas para que não falte, sem deixar em segundo plano, o aprendizado e a prática do ato de dividir.   

Não esqueçamos de nossa ancestralidade e dos pretos velhos, é a primeira vez que os nossos ancestrais aparecem reinando, isto significa que as camadas de mentores aumentaram. Na questão dos pretos velhos, eles eram mestres na África e no Brasil, tiveram seus nomes trocados pelos senhores de escravos. Os ancestrais que estão regendo não se manifestam em incorporações, mas estão lincados aos pretos velhos, são elos entre nós que nos ajudam na cura de doenças. Cuidado com a influência dos eguns pois são sábios.

Nos relacionamentos, atentem aos nossos jovens, cuidado com as explosões sexuais e liberdade,  à gravidez inesperadas. Aos solitários momento propicio para novos relacionamentos, mas com cautela devido a paixões que não são verdadeiras, e aos casais a dica será o cuidar, o semear, o preservar, da relação, da amizade e do companherismo, pois há tendências à traições.  

Na saúde a pauta será o emocional, mas não esqueçamos do nosso corpo, pois a saúde plena se dá com o equilibrio do conjunto, corpo e alma, por isto, policiemos nossos hábitos: menos bebidas, destilados, comidas e sim mais rezas.
Os remédios ajudam nas doenças do corpo, a alma quem cuida é a energia.

Nguzu Kandandu !
(Forte Abraço !)




       
 




 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

::: Ilê Oxumaré recebe placa comemorativa



Terreiro Oxumarê recebe
placa comemorativa de patrimônio nacional 


Nesta quarta-feira (15/01), o terreiro Ylê Axé Oxumarê, localizado no bairro da Federação, em Salvador, um dos mais antigos centros de culto afro-brasileiro do Brasil, ganhou uma placa comemorativa do reconhecimento do espaço como patrimônio do Brasil. O terreiro foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em novembro de 2013. A placa foi entregue pela ministra do Turismo, Marta Suplicy, e pela presidenta do Iphan, Jurema Machado.
Para o governador Jaques Wagner, é difícil mensurar a importância do tombamento de um terreiro como o Casa de Oxumarê, que reúne pessoas dedicadas à manutenção da religião africana, que durante muito tempo foram perseguidas pela polícia e pelo Estado brasileiro. “Agora tem este reconhecimento do Iphan e do Ministério da Cultura, que tornam esta casa um patrimônio histórico do Brasil. Para a Bahia é algo grandioso”.

Segundo a ministra Marta Suplicy, o tombamento é um processo complexo. “Este terreiro é algo que vai além da religião, faz parte da história do Brasil, é um lugar de resistência da cultura afrobrasileira”. O Ylê Axé Oxumarê é um dos sete terreiros já tombados no Brasil, dos quais seis estão na Bahia, o Casa Branca, Ilê Axé Opô Afonjá, Gantois, Alaketu e Bate-folha, e um em São Luís do Maranhão, o Casa das Minas Jejê.

O Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó, conhecido como Casa de Òsùmàrè, foi fundado há 180 anos e faz parte do panteão das casas matrizes responsáveis pela construção da religiosidade afro-brasileira.

Em 15 de abril de 2002, a Fundação Cultural Palmares reconheceu a Casa de Òsùmàrè como território cultural afro-brasileiro, atestando sua permanente contribuição pela preservação da história dos povos africanos no Brasil. Dois anos depois, em 15 de dezembro de 2004, foi registrado em livro de tombo do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) como patrimônio material e imaterial do Estado. 

** Fonte:
- Portal Vermelho - por Ana Emília Ribeiro - informações da Secom